reencantamento do virtual

eu escrevo e depois apago

Thursday, June 09, 2005

janelas abertas

Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer correndo, corredores em silêncio
Perder as paredes aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos dentro do apartamento

Sim, eu poderia procurar por dentro a casa
Cruzar uma por uma as sete portas, as sete moradas
Na sala receber um beijo frio em minha boca
Beijo de uma Deusa morta
Deus morto, fêmea de língua gelada
Língua gelada como nada

Sim, eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada um matar um membro da família
Até que a plenitude e a morte coincidissem um dia
O que aconteceria de qualquer jeito


Mas eu prefiro abrir as janelas
Pra que entrem todos os insetos


esse é o Mano Cetano, amor e poeta da minha vida.

Saturday, June 04, 2005

o domínio da consciência

"Cada vez que eu entrava em estado de consciência intensificada, não podia deixar de maravilhar-me com a diferença entre meus dois lados. Sempre sentia como se um véu tivesse sido removido de meus olhos, como se eu estivesse parcialmente cego antes e agora pudesse ver. A liberdade, a pura alegria que me possuíam nessas ocasiões não podem ser comparadas com nenhuma outra coisa que jamais tenha sentido. Entretanto, ao mesmo tempo, havia uma assustadora sensação de tristeza e saudade que vinha de mãos dadas com aquela alegria e liberdade. Dom Juan tinha dito que não se pode ser completo sem tristeza e saudade, pois sem tais coisas não existe sobriedade, nem benevolência. Sabedoria sem benevolência, afirmou ele, e conhecimento sem sobriedade são inúteis."
Carlos Castaneda